20 novembro 2025

Robert Macoy e a Consolidação da Ordem da Estrela do Oriente

Robert Macoy - Meta AI.
Vida e Legado

Robert Macoy nasceu em 4 de outubro de 1815, em Armagh, Condado de Armagh, Irlanda do Norte. Filho de pais escoseses, foi com a família para os Estados Unidos quando ainda era bebê, com cerca de 4 meses. Sua família fixou-se em Nova York.

Macoy recebeu boa educação em Nova York e, em 1837 casou-se com Eliza Ann, com quem teve oito filhos: Robert F., Mary, Clara, William, Sophia, Isabella, Powell e Eliza.  Por volta dos anos 1840, quando estava com cerca de 25 anos, iniciou-se como aprendiz de tipógrafo e, em janeiro de 1848, foi iniciado na maçonaria pela Loja Leganon Lodge n. 191. 

Em 1849, fundou a Macoy Publishing & Masonic Supply Co., ao lado de John W. Simons e, mais tarde, fez parceria com Daniel Sickels e outros. Nesse mesmo ano, lançou seu primeiro livro: The Master Workman. Em 9 de dezembro de 1850 foi elevado ao grau 33 do Rito Escocês. Em 1855, foi eleito Grande Gravador do Grande Comando E. T. e, em 1856, Grande Secretário-Deputado da Grande Loja de Nova York.

Trabalhou com Robert Morris, recebendo seu sistema Constellation em 1868. A partir de então, reorganizou-o e publicou o ritual da Ordem da Estrela do Oriente (Eastern Star) em 1869. Em seguida, publicou dezenas de livros e manuais que reúnem instruções, explicações e textos ritualísticos não secretos, com o objetivo de servirem como guias e materiais de orientação e estudo aos membros da Maçonaria. Esses materiais continham:

  • Procedimentos cerimoniais (como conduzir reuniões, iniciações e elevações);
  • Símbolos e seus significados;
  • Práticas éticas e morais; e
  • Estruturas dos graus.

Em 1874, tornou-se membro do Comando Templário DeWitt Clinton e, em 1883, fundou a Ordem de Amaranth. Faleceu em 1895, deixando um enorme legado à Maçonaria, principalmente pelas publicações que foram, por décadas, amplamente usadas como referências básicas para o culto maçônico.

Atuação na Ordem da Estrela do Oriente

A Ordem da Estrela do Oriente (OES), como já vimos neste blog, é uma organização paramaçônica criada para integrar mulheres e homens ligados à Maçonaria. Sua origem remonta a Robert Morris, que idealiou, na década de 1850, um sistema denominado Constellation of the Eastern Star. Contudo, foi Robert Macoy quem deu forma definitiva à Ordem, garantindo sua expansão e reconhecimento.

Em 1868, Morris transferiu a Macoy os direitos e a responsabilidade de organizar e difundir o sistema. Macoy revisou os rituais, estruturou os graus e publicou, em 1869, o primeiro ritual oficial sob o título The Adoptive Rite, que se tornou a base da Estrela do Oriente moderna. Além disso, estabeleceu regras para filiação, símbolos e ensinamentos, consolidando a Ordem como uma instituição duradoura no contexto maçônico norte-americano.

Macoy faleceu em 9 de janeiro de 1895, no Brooklyn, e recebeu um funeral com ritos maçônicos, sendo sepultado no Green-Wood Cemetery

Sua atuação foi decisiva não apenas na sistematização ritualística, mas também na difusão da Ordem. Como fundador da Macoy Publishing & Masonic Supply Co., ele utilizou sua experiência editorial para imprimir e distribuir manuais e diversos materiais, permitindo rápida expansão da OES pelos Estados Unidos. Mais tarde, criou o Order of the Amaranth, destinado a membros já iniciados na Estrela do Oriente, reforçando seu papel como inovador nos sistemas de adoção feminina.

Graças à sua organização e atuação editorial, Robert Macoy é lembrado como o verdadeiro sistematizador da Ordem da Estrela do Oriente, garantindo-lhe estabilidade e reconhecimento dentro do universo maçônico.

Sandra Cristina Pedri

Referências Bibliográficas

FIND A GRAVE. Robert Macoy (1815–1895) – Memorial 89376457. Disponível em: <https://www.findagrave.com/memorial/89376457/robert-macoy>. Acesso em: 20 nov. 2025.

WIKIPEDIA. Robert Macoy. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Macoy>. Acesso em: 20 nov. 2025.

FAMILYSEARCH. Aurora Grata Cathedral – Local dos ritos fúnebres de Robert Macoy. Disponível em: <https://www.familysearch.org/memories/memory/27937650>. Acesso em: 20 nov. 2025.

INTERNET ARCHIVE – LIBRARY OF CONGRESS. Adoptive rite ritual: a book of instruction in the ... Order of the Eastern Star / by Order of the Eastern Star; Macoy, Robert. Nova Iorque: Masonic Publishing Company, 1897. Disponível em: <https://archive.org/details/adoptiveriteritu00orde>. Acesso em: 20 nov. 2025.

NATIONAL MUSEUM OF AFRICAN AMERICAN HISTORY AND CULTURE. Adoptive Rite Ritual: A Book of Instruction / Robert Macoy, 1928. Disponível em: <https://nmaahc.si.edu/object/nmaahc_2011.156.14.9.12ab>. Acesso em: 20 nov. 2025.

MACOY PUBLISHING. Adoptive Rite Ritual 1998 Revised Edition, with SY073. Disponível em: <https://www.macoy.com/OES-Supplies/OES-Books-/-Eastern-Star-Ritual/Adoptive-Rite-Ritual-1998-Revised-Edition-with-SY073>. Acesso em: 20 nov. 2025.

16 novembro 2025

Apologia de Sócrates

Lições para o Maçom Contemporâneo
Sócrates. Copilot.

A Apologia de Sócrates, escrita por Platão, é um dos registros mais marcantes da filosofia ocidental. Trata-se do discurso de defesa proferido por Sócrates em seu julgamento, no ano de 399 a.C., quando foi acusado de corromper a juventude e de não acreditar nos deuses reconhecidos pela cidade de Atenas. Mais do que um texto jurídico, a obra é uma profunda declaração de princípios, revelando a postura ética e intelectual de um homem que dedicou sua vida à busca da verdade e à melhoria moral da sociedade.

Segundo Reale (2004, p. 89), "a Apologia é o testemunho da integridade moral de Sócrates, que preferiu morrer a renunciar à sua missão filosófica". A obra se divide em três partes: a defesa das acusações, a proposta de pena e a despedida. Cada uma delas revela facetas distintas de Sócrates, desde sua habilidade argumentativa até sua coragem moral diante da morte.

A Defesa

Na primeira parte, Sócrates rebate tanto as acusações recentes quanto as antigas. Ele nega ter se ocupado de "coisas celestes e subterrâneas" ou de ensinar a fazer a "razão mais fraca parecer a mais forte" (PLATÃO, s.d.). Em vez disso, explica que sua missão sempre foi questionar e expor a falsa sabedoria das pessoas - tarefa que inevitavelmente lhe trouxe inimizades.

Sócrates recorre ao Oráculo de Delfos, que afirmara não haver homem mais sábio do que ele. Segundo Jaeger (2001, p. 143), "Sócrates interpreta o oráculo como um chamado à investigação filosófica, à busca incessante pela verdade". A partir dessa compreensão, constrói sua sabedoria socrática, baseada no conhecimento da própria ignorância como ponto de partida para o conhecimento, pois ele sabia que nada sabia.

Ele também se defende das acusações de Meleto, mostrando que, se corrompesse os jovens, o faria de forma involuntária — e, nesse caso, mereceria instrução, não punição. Além disso, desmonta a alegação de ateísmo, pois, embora questione certas concepções religiosas, acredita em “seres divinos” (daimons) e afirma que sua missão é dada por Deus: estimular as pessoas a cuidarem da alma e a colocarem a virtude acima de riquezas e status (PLATÃO, s.d.).

A Proposta de Pena

Após ser considerado culpado pela maioria dos juízes, Sócrates mantém a firmeza. Com ironia, afirma que, pelo serviço prestado à cidade, deveria ser recompensado e sustentado no Pritaneu — honra reservada a campeões olímpicos e heróis. Segundo Nunes (2010, p. 57), "a proposta de Sócrates revela sua convicção de que a filosofia é um bem público, essencial à vida da pólis".

Recusa a ideia de exílio, pois, onde quer que estivesse, continuaria filosofando. Para ele, abandonar essa prática seria desobedecer ao chamado divino que orientava sua vida. Embora inicialmente sugerisse pagar 1 mina como multa, aceita a proposta de seus amigos Platão, Críton e outros, oferecendo 30 minas como alternativa (PLATÃO, s.d.).

A Despedida

Na parte final, Sócrates se dirige primeiro aos que o condenaram, advertindo-os de que sua morte não silenciaria as críticas à cidade — pelo contrário, outros surgiriam para cobrar a mesma postura moral que ele exigia. Aos que o absolveram, explica que o “sinal divino” que sempre o guiava não se manifestou durante o julgamento, indicando que a morte não era um mal.

Reflete sobre a natureza da morte, sugerindo dois possíveis cenários: um sono profundo e sem sonhos, que traria descanso total, ou uma mudança de lugar, onde poderia dialogar com heróis e sábios do passado. Como afirma Platão (s.d.),  "ninguém pode fazer mal a um homem bom, nem em vida nem depois da morte", pois o valor de uma vida está em vivê-la justamente.

Ideias Centrais

  • Missão filosófica: questionar crenças, examinar a vida e buscar a virtude.
  • Sabedoria socrática: reconhecer a própria ignorância como caminho para o conhecimento.
  • Coragem moral: manter a integridade mesmo diante da morte (NUNES, 2010).
  • Crítica à retórica vazia: rejeição a apelos emocionais e manipulação em favor da verdade.
  • Concepção da morte: aceitação do desconhecido, considerando que ele pode ser um bem.

Conclusão

A Apologia de Sócrates é mais do que um registro histórico de um julgamento; é um manifesto atemporal sobre a importância da integridade, da reflexão crítica e da busca pelo sentido da vida. Ao se recusar a comprometer seus princípios para evitar a morte, Sócrates nos lembra que a verdadeira coragem não está em viver a qualquer custo, mas em viver fiel àquilo que se acredita ser justo.

Como resume Platão (s.d.), "a vida não examinada não vale a pena ser vivida". Ler a Apologia de Sócrates é confrontar-se com nossas próprias certezas e lembrar que, mais do que respostas prontas, o que nos mantém vivos intelectualmente são as perguntas que ousamos fazer.

Maria Luiza Menquique

Referências Bibliográficas

JAEGER, Werner. Paideia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

NUNES, Benedito. O conhecimento filosófico. São Paulo: Ática, 2010.

PLATÃO. Apologia de Sócrates. Tradução eletrônica. Disponível em: <https://www.acropolis.org.br>. Acesso em: 19 out. 2025.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 2004.

14 novembro 2025

Francesca Eliza Arundale: Pioneira Espiritual e Maçônica

Espiritualidade e Maçonaria

Francesca Arundale. Meta AI.
Francesca Eliza Arundale nasceu em 1847, na cidade de Brighton, Inglaterra. Seus pais eram Francis Arundale e Mary Ann Arundale (GENI, [s.d.]).

Desde jovem, demonstrou interesse por temas espirituais e filosóficos. Sua formação acadêmica e educacional não é amplamente documentada, mas sabe-se que se envolveu com o movimento teosófico e, posteriormente, com a Maçonaria Mista. Viveu por muitos anos na Alemanha, onde aprofundou seus estudos esotéricos, e em 1902 mudou-se para Adyar, na Índia, onde permaneceu até sua morte, em 23 de março de 1924 (WIKIPEDIA, [s.d.]).

Em 1881, Francesca tornou-se membro da Sociedade Teosófica de Adyar, sendo uma das primeiras mulheres a integrar o movimento. 

Sua residência em Londres, localizada na 77 Elgin Crescent, transformou-se em um centro de atividades teosóficas, servindo como núcleo da Loja de Londres da Seção Inglesa da Sociedade. Nesse ambiente, Francesca cultivou amizades com figuras influentes como Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da teosofia moderna, e Annie Besant, líder espiritual, maçom e ativista social. Ambas exerceram forte influência sobre sua trajetória, especialmente Blavatsky, com quem conviveu intensamente. Essa convivência foi registrada por Francesca em sua obra My Guest, H. P. Blavatsky, na qual relata episódios do cotidiano e os ensinamentos da fundadora da Sociedade Teosófica, destacando os profundos aprendizados espirituais que recebeu por meio da vivência direta dos princípios teosóficos (ARUNDALE, 2004, p. 15).

Consta em registros de genealogia que Francesca casou-se com o Reverendo John Kay (GENI, [s.d.]). No entanto, alguns textos a mencionam como "solteirona". Não teve filhos, e adotou seu sobrinho-neto George Sydney Arundale, que foi eleito presidente da Sociedade Teosófica (1934-1945) após o falecimento de Annie Besant, a segunda presidente (SOCIEDADE TEOSÓFICA DE PORTUGAL. [s.s.]).

Em 1896, Francesca foi iniciada na Maçonaria Mista pela Loja n.1 da Grande Loja Escocesa - Le Droit Humain, tornando-se a primeira mulher inglesa a receber essa iniciação. Em 1902, participou da fundação da Loja "Dever Humano" n.6, em Londres, ao lado de Annie Besant. Seu trabalho maçônico foi marcado pela promoção da igualdade de gênero dentro da Ordem e pela expansão da Maçonaria Mista na Índia, com foco na educação e na emancipação feminina.

Na Índia, Francesca atuou como diretora de escolas femininas, como o Central Hindu College Girl's School e a National Girl's School em Mylapore, perto de Adyar. Em 1922, foi nomeada chefe honorária do ramo feminino do Departamento de Educação do Estado de Holkar. Holkar era um antigo estado principesco localizado na região de Indore, no centro da Índia, governado pela dinastia Holkar. Sua nomeação indica reconhecimento oficial por seu trabalho educacional e espiritual voltado à emancipação feminina. Francesca promoveu valores de igualdade, educação e espiritualidade, influenciando a formação de jovens mulheres indianas em um contexto ainda marcado por fortes tradições patriarcais.

Além de Blavatsky e Besant, Francesca teve contato com outras mulheres influentes do movimento teosófico, como Clara Codd, teosofista britânica e defensora dos direitos das mulheres, que também colaborou com a Sociedade Teosófica e participou de atividades Maçônicas e espirituais. Essa rede de mulheres formou uma base sólida para a atuação feminina em espaços iniciáticos e intelectuais no final do século XIX e início do século XX.

Sua vida e obra são testemunhos da força das mulheres que ousaram romper barreiras e abrir caminhos em espaços antes restritos aos homens.

Sandra Cristina Pedri

Referências Bibliográficas

ARUNDALE, Francesca Eliza. My Guest, H. P. Blavatsy. Whitefish: Kessinger Publishing, 2004.

GENI. Francesca Eliza Arundale (1847 - 1924). [S.l.: s.n.]. Disponível em: https://www.geni.com/people/Francesca-Arundale/6000000010443184215. Acesso em: 30 out. 2025.

IAPSOP. The Theosophical Review. Disponível em: http://iapsop.com/archive/materials/theosophical_review/. Acesso em 28 set. 2025.

LUTYENS, Mary. Os Anos Do Despertar - Jiddu Krishnamurti. [S.l.: s.n.], 2020. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/469716303/Os-anos-do-despertar-Jiddu-Krishnamurti-por-Mary-Lutyens-pdf. Acesso em: 30 out. 2025.

SOCIEDADE TEOSÓFICA DE PORTUGAL. Presidentes Internacionais. [S.l.: s.n.]. Disponível em: https://www.sociedadeteosoficadeportugal.pt/presidentes-internacionais. Acesso em: 30 out. 2025.

THEOSOPHY FORWARD. Arundale, Francesca Eliza (1847-2924). Disponível em: https://www.theosophyforward.com/arundale-francesca-eliza-1847-1924. Acesso em 28 set. 2025.

THEOSOPHY WORD. Arundale, Francesca E. Disponível em: https://www.theosophy.world/encyclopedia/arundale-francesca-e. Acesso em 28 set. 2025.

WIKIPEDIA. Francesca Arundale. Disponível em: 
https://en.wikipedia.org/wiki/Francesca_Arundale. Acesso em: 28 set. 2025.

WIKIPEDIA. Le Droit Humain. [S.l.: s.n.]. Disponível em:
https://en.wikipedia.org/wiki/Le_Droit_Humain. Acesso em: 30 out. 2025.

Maçonaria Feminina: O Despertar da Consciência

Além das Ideologias Recentemente um homem nos enviou uma mensagem (via WhatsApp) que, entre outras frases, escreveu: "É que eu vi que...