01 fevereiro 2026

Maçonaria Feminina: O Despertar da Consciência

Além das Ideologias

Recentemente um homem nos enviou uma mensagem (via WhatsApp) que, entre outras frases, escreveu: "É que eu vi que vocês são empoderadas feministas".

A Maçonaria Feminina, mais especificamente, a FÊNIX NUT, não é feminista, pois o feminismo é uma ideologia e não incentivamos a adesão à qualquer tipo de ideologia. É preciso clareza e cuidado ao rotular movimentos femininos sob o manto do feminismo. 

Maçonaria Feminina e o feminismo são caminhos distintos. Enquanto feminismo muitas vezes foca em pautas sociopolíticos e de confronto, a Maçonaria Feminina foca na evolução do ser humano.

O Conhecimento como Escudo

Nosso objetivo é o aprimoramente constante e o crescimento pessoal e social através da sabedoria, adquirida pelo estudo e pelo conhecimento. Acreditamos que uma mulher instruída e consciente de si mesma é livre de amarras invisíveis. Buscamos, portanto, o conhecimento para que a mulher:

·        Cultive a autonomia espiritual e intelectual: Que ela deposite sua confiança na própria consciência e no discernimento pessoal, encontrando sua própria luz em vez de seguir cegamente lideranças ou promessas externas.

·       Exerça o equilíbrio e a razão: Onde há clareza mental, floresce o livre-pensar. Priorizamos a lucidez para que o espírito permaneça livre de dogmas e aberto à verdade.

·       Promova a fraternidade e o respeito: A verdadeira união nasce da compreensão. Valorizamos a pluralidade de ideias, entendendo que a diferença é uma oportunidade de aprendizado e um caminho para o fortalecimento comum.

A Essência Feminina em Equilíbrio

Defendemos o resgate da mulher feminina. Ser feminina não significa ser frágil, mas sim carregar a força da intuição, da sensibilidade e da criação. Não buscamos a anulação das características que nos tornam únicas para ocupar espaços; buscamos ocupar esses espaços com a nossa própria essência, lapidada pelo estudo e pela ética.

Promovemos a fraternidade mútua e a harmonia com a sociedade.
Queremos mulheres a favor da Verdade, da Justiça e da Humanidade.

Nossa jornada é para dentro (interna, autoconhecimento). Nos esforçamos para que as mulheres pensem por si, dominem suas paixões e sejam pilares de equilíbrio em suas famílias e na sociedade. Somos da Fênix Nut, Maçonaria Feminina, portanto femininas, livres no pensar - sem precisar de rótulos ideológicos.

Sandra Cristina Pedri


07 dezembro 2025

A Liderança Maçônica

Servidora e Facilitadora
Imagem criada por Meta AI

A gestão empresarial moderna está se afastando do modelo "comando e controle" (hierarquia rígida) para adotar uma postura mais de facilitação e serviço. O líder servidor não se vê no topo para dar ordens, mas sim como alguém que apoia e capacita sua equipe para que ela possa desempenhar seu melhor trabalho e alcançar o propósito coletivo.

Atualmente vemos como principais características de um líder a empatia, escuta ativa, desenvolvimento da equipe (mentoria e coaching), humildade e a habilidade de remover obstáculos para que os colaboradores (no caso da maçonaria, os(as) Obreiros(as)) possam florescer. Portanto, o foco da liderança está mais em inspirar e alinhar as pessoas a uma visão de propósitos claros do que simplesmente supervisionar tarefas.

Na maçonaria feminina a Venerável Mestre não é apenas aquela que detém a autoridade ritualística, mas é a principal facilitadora para que os trabalhos da Loja e as atividades administrativas ocorram em perfeita harmonia e regularidade. Ela é quem garante às demais irmãs, que ocupam cargos oficiais, todo suporte e alinhamento necessários para que exerçam suas funções de forma zelosa e eficaz, mantendo a disciplina e o decoro sem recorrer a um autoritarismo desnecessário. Cabe a ela remover as distrações e os conflitos (ou obstáculos) para que o foco seja o aprimoramento moral e a instrução maçônica.

Desenvolvedora e Mentora das Obreiras

Assim como o líder noderno investe em coaching e desenvolvimento contínuo de seus colaboradores (soft skills) a Venerável Mestre tem o dever primordial de zelar pela instrução e evolução de suas Irmãs, especialmente das recém-iniciadas (Aprendizes e Companheiras). Para isso deve:

  • agir como Mentora inspirando a busca pelo conhecimento e a prática dos princípios maçônicos. Sua conduta deve ser um exemplo de retidão e justiça (simbolizados pelo Esquadro, sua Joia), servindo de modelo para que as demais Obreiras se tornem "maçons mais retas e justas". Portanto, ao invés de apenas delegar tarefas, ela deve bucar meios que lhe possibilitem capacitar as Obreiras para os próximos passos, preparando-as para assumir, no futuro, os cargos de liderança da Loja.

Foco na Harmonia e no Propósito Compartilhado

A liderança servidora busca alinhar todas as Irmãs a um propósito maior, que é a construção do Templo Interior e a busca pela Verdade, promovendo a virtude e o bem-estar social. Cabe à Venerável Mestre usar a escuta ativa e a empatia (características do líder servidor) para mediar conflitos, unir as Colunas e garantir que todas as decisões (que devem ser, muitas vezes, votadas) sirvam ao interesse coletivo e superior da Ordem, e não a interesses pessoais. 

Dessa forma, a Venerável Mestre transformará sua autoridade ritualística em uma autoridade moral e inspiracional, potencializando o desenvolvimento de cada Obreira e, consequentemente, o sucesso e a prosperidade da Loja.

No próximo artigo abordaremos a aplicação da comunicação clara e transparente (outro aspecto da liderança empresarial moderna).

Sandra Cristina Pedri

Referências Bibliográficas

BAGGIEIRI, Dario Angelo. Maçonaria Atual: Temos Líderes ou Dirigentes? Uma Visão Holística de Um Eterno Sonhador. Academia Maçônica de Letras do Estado do Espírito Santo, 8 jul. 2018. Disponível em: [endereço da URL]. Acesso em: 7 dez. 2025. (Nota: Substitua "[endereço da URL]" pelo link real, caso use este artigo específico.)

BLANCHARD, Kenneth H. Liderança de Alto Nível: Como Criar e Liderar Organizações de Alto Desempenho. Barueri, SP: Manole, 2019. (Ou a versão mais antiga, que foca no coaching e desenvolvimento da equipe).

HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Tradução de A. B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

ISMAIL, Kennyo Mahmud Soares Oliveira. Liderança Maçônica: A Influência da Liderança na Identidade e Comportamento Maçônico. 2013. 70 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2013.

MARTINS, Erika Camila Buzo et al. Liderança servidora: o modelo Southwest Airlines. Revista de Ciências Gerenciais, v. 16, n. 24, p. 111-125, 2012.

VALLE, Armando Ettore Do. Administração e liderança nas lojas simbólicas. São Paulo: Madras Editora, 2008. (Ou edição mais recente).

30 novembro 2025

Platão e a Maçonaria

O Mito da Caverna

Você conhece a história do Mito da Caverna de Platão? Se não conhece, tem aqui uma excelente oportunidade. E qual a relação dessa história com a Maçonaria? Os maçons se reúnem com o objetivo de buscar o aperfeiçoamento pessoal por meio do autoconhecimento. Quando sabemos quem somos, quais os nossos defeitos, quais as nossas qualidades.... fica mais fácil determinar aonde queremos chegar. 

O Mito da Caverna. Imagem Meta AI.

Na Maçonaria, no grau de Aprendiz, estudam-se obras de filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Thomas Hobbes, Kant, Jacques Maritain, entre outros, com o objetivo de incentivar a autorreflexão. O Mito da Caverna, citado na obra A República de Platão, proporciona excelentes ensinamentos e insigths, além de ilustrar e explicar ideias complexas sobre o conhecimento (natureza, origens e limites). 

Um grupo de pessoas está acorrentada desde a infância no fundo de uma caverna escura. Ali, estão aprisionadas e dispostas de forma que só podem contemplar o fundo dessa caverna. Atrás, no entanto, há uma fogueira e um caminho elevado. Pessoas e objetos passam por esse caminho, e a luz da fogueira projeta suas sombras na parede que está diante delas. Sem jamais ver os objetos reais nem o fogo, a única realidade que conhecem são as distorcidas sombras projetadas, às quais dão nomes, tomando-as como reais.

Um dia, um dos prisioneiros é libertado à força e obrigado a se virar, encarar o fogo e, depois, subir a íngreme saída da caverna. A princípio, a luz o cega e ele sente dor e confusão. Ele preferia voltar ao conforto e à escuridão das sombras, que lhe eram familiares. Fora da caverna, seus olhos se acostumam gradualmente com a luz. Primeiro, ele vê as sombras dos objetos (reflexos na água), depois os objetos em si, e por fim, ele consegue olhar para a fonte de toda a luz e vida: o Sol.

O prisioneiro, agora liberto e portador da verdadeira realidade, sente pena de seus antigos companheiros e decide voltar para a caverna a fim de lhes contar a verdade e libertá-los. Ao voltar para a escuridão, seus olhos demoram para se reajustar e ele acaba tropeçando. Os outros zombam dele, dizendo que a jornada o tornou louco e piorou sua visão. Eles resistem à sua mensagem e, segundo a alegoria, chegam a matá-lo por tentar desacorrentá-los à força.

Comparando com os Níveis de Conhecimento

  • A caverna representa o mundo sensível (opinião), onde vivemos guiados pelas aparências e pelos sentidos.
  • Os objetos reais representam as ideias ou formas (justiça, beleza, bem etc.) ou seja, o verdadeiro conhecimento.
  • O Sol representa a ideia do bem, que é a causa de todo o ser, verdade e inteligibilidade.
Quando nos libertamos das aparências e alcançamos a verdade por meio da razão, passamos a ter o dever moral de guiar os outros à luz, mesmo que sejamos rejeitados. O caminho para nos libertarmos é a "educação", que representa a subida da caverna e que exige esforço, disciplina e orientação da alma para o que é verdadeiro. Nesse percurso, a maçonaria ensina aos seus membros que devem combater o orgulho, os preconceitos e os erros, além de lutar contra a ignorância, a mentira, o fanatismo e a superstição, que são os causadores de todos, ou quase todos, os males da humanidade.

Como Isso Acontece

Recentes descobertas da Neurociência mostram que a mente humana vive aprisionada nos pensamentos automáticos, que podemos considerar como pensamentos disfuncionais (ex.: "não serei amada se eu não fizer o que me pediram", "serei rejeitada se eu disser 'não'" etc.). Tais pensamentos são como "sombras" rápidas e involuntárias que interpretam a realidade de forma tendenciosa. O sofrimento que experimentamos, portanto, não é real, mas sim produto da nossa percepção dos eventos.

Toda crise existencial começa quando nasce a consciência que exige a morte do nosso velho eu — a dissolução das chamadas "crenças centrais" negativas. Isso acontece, na Maçonaria, quando o Aprendiz começa a trabalhar o ego, o que chamamos de lapidar a Pedra Bruta, para alcançar a Luz (Pedra Polida). Essa Pedra Bruta pode ser comparada às ideias profundas e globais que temos sobre nós mesmos, sobre o mundo e o futuro e, muitas vezes, estão agrupadas em temas como desamparo, desamor e desvalor.

Platão anteviu o que hoje a Neurociência confirma: a realidade se comporta conforme a percepção do observador. A capacidade do cérebro de se reestruturar por meio da neuroplasticidade é a base biológica maçônica. O observador desperto, ou seja, aquele que trabalha ativamente em Loja, percebe que o mundo não precisa mudar; ele mesmo é que precisa identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais.

A caverna é mental (formada pelo conjunto das crenças disfuncionais). A saída da caverna é vibracional e só se consegue sair quando há uma reestruturação cognitiva, que ocorre por meio da análise e da modificação. Nesse momento, enxergamos o Sol da verdade (Grande Arquiteto do Universo) e nos damos conta de que ele sempre esteve dentro de nós, apenas aguardando o trabalho de colaboração ativa entre o nosso eu consciente e o eu em construção.

Neuroplasticidade em Ação

Ao escolher ver o mundo sob uma "nova perspectiva" e praticar o "novo comportamento" (esperar calmamente em vez de reagir), passamos a trabalhar ativamente para o enfraquecimento das velhas conexões neurais da "caverna mental" (do Eu desvalorizado) e fortalecemos as novas conexões de Luz em que passamos a entender que o nosso valor é independente das respostas e ações dos outros. E qual é o resultado disso? Menos sofrimento e reações mais eficazes.

Como Sair da Caverna Mental (Exemplo)

O processo prático para sair da "caverna mental" é fazer uso da conhecida Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), que pode ser resumida em 3 passos principais:

1. Identificar a sombra (o pensamento automático) - Este é momento em que nos comportamos como o "prisioneiro acorrentado", que só vê a sombra na parede. Exemplo:
    • Evento (o fato neutro): o colega não respondeu à sua mensagem.
    • Sombra (o pensamento automático): ele está me ignorando. Ele não me respeita e acha que o meu trabalho não é importante.
    • Emoção (o sofrimento): sentimentos de raiva, frustração e ansiedade.
    • Comportamento (a reação): mandar uma segunda mensagem agressiva ou se fechar e não falar mais com ele.
2. Descobrir as correntes (crenças intermediárias e centrais) - Aqui você começa a se virar na caverna para o que está por trás da sombra. Você liga seu Pensamento Automático às suas regras de vida mais profundas.
    • Regra (crença intermediária): se eu não for respeitado e levado a sério por todos, serei um fracasso (uma regra de vida que você segue).
    • Essência (crença central - a Pedra Bruta): essa regra, por sua vez, está protegendo uma crença mais profunda, como "Eu sou incompetente" ou "Eu sou desvalorizado".

Conclusão da corrente: o sofrimento não veio da falta de resposta do colega à sua mensagem, mas porque essa falta de resposta ativou a sua crença de que você é desvalorizado.

3. Subir para a Luz (reestruturação cognitiva e neuroplasticidade) - Agora você se torna o Observador Desperto (o Maçom que trabalha) usando a razão para desafiar a sombra e criar uma nova perspectiva.

É fácil? Não! É difícil e exige a lapidação constante da Pedra Bruta, por isso o maçom costuma dizer que é um "eterno aprendiz". Mas é possível.

Sandra Cristina Pedri

Referências Bibliográficas

BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.

CLARK, David A.; BECK, Aaron T. Terapia Cognitiva para Transtornos de Ansiedade: Ciência e Prática. Porto Alegre: Artmed, 2012.

DOBSON, Keith S. Terapia Cognitivo-Comportamental Baseada em Evidências: Guia Prático para Intervenção Efetiva. Porto Alegre: Artmed, 2017.

WRIGHT, Jesse H.; BASCO, Monica R.; THASE, Michael E. Guia Ilustrado de Terapia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2008.


Maçonaria Feminina: O Despertar da Consciência

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